Dia 01/06 – Dia 1 Andermatt – Chur 90 KM
Eu acabei acordando as 4 da manhã e não dormi mais. O Flávio acordou as 6:30 e o João Armando tiramos da cama as 7;15.
Após o café iniciamos a montagem das bikes. Acabamos partindo mais tarde do que eu gostaria, as 8, e saimos as 9:15 com o termometro marcando 3 graus. O percurso do Rio Reno é quase todo plano, mas o seu inicio começa na Suiça, e as montanhas pelo caminho são inevitáveis. Esse roteiro foi especialmente cruel, pois os dez primeiros quilometros seriam os piores de toda a viagem.
Saindo de Andermatt a 1440 m teríamos de vencer o Oberalp pass com 2045 m de altitude que ficava a meros 11 Km de distância. Isso significa um paredão. 600m de diferença vertical em um trecho tão curto não é nada fácil não.
Começamos pelos caracóis, uma sequência de curvas em zigue-zague digna de muitos filmes de James Bond. Levamos quase três horas para vencer os 11Km.
À medida que subiámos o frio aumentava e depois de 1:30h a neve passou a fazer parte da paisagem. Foi incrível, estávamos no verão europeu e com neve a nossa volta.
No alto do Passo paramos, com a temperatura de -5 graus, para tomar algo quente. Escolhi uma sopa de tomate, o João uma sopa de cevada e o Flávio um chocolate quente.
Na saída pus minha roupa de frio mais pesada, incluindo jaqueta e calca de chuva que servem como corta-vento, um gorro e uma máscara de frio. Meus amigos também se prepararam pois a descida iniciava a partir dali.
Os oito primeiros quilometros foram sensacionais. Fizemos novamente os caracóis, agora descendo, mas num cenário muito mais bonito, com duas altas montanhas nos rodeando. Todos ficaram fascinados pela paisagem. É um daqueles lugares que vale a penas dizer, se eu morrer agora, valeu só por esta visão. O João até disse que estava me devendo uma por ter levado ele naquele cenário maravilhoso.
Caracois
Embora estivessemos a 2 mil metros e nosso destino final do dia estivesse a 500m de altitude nem tudo era descida. A altimetria do guia mostrava o que enfrentaríamos, mas passava a idéia de que seria muito fácil vencer os 90 Km.
Com 80 por fazer até Chur, desde o Oberalp calculamos que estarimos lá por volta das 17 horas. Ledo engano. As subidas escondidas do caminho e o vento contra abaixou muito a nossa média horária.
As 17 horas estávamos chegando em Llanz que ficava a 36 Km de Chur. Estavamos mortos de fome e cansados. Marcamos uma bobeira muito grande não tendo almoçado no Oberalp. Depois não encontramos mais restaurantes abertos quando a fome bateu.
Entramos numa espécie de Pub que servia lanches. A moça que atendia o Bar e as mesas tinha um estilo riponga com um cabelo rastafari (nem sei se é assim que se escreve), mas que se alguém investisse um R$ 3.000,00 num corte de cabelo e um banho de loja, ficaria bem apresentável. Mas o que me chamou mais atençãon foi uma enorme tatuagem no colo, em forma de uma espiral que terminava, no centro, num piercing de uma pedra brilhante. Ela era falante e nos ajudou a escolher no cadápio em alemão. Lhe perguntei o que significa aquela tatoo, a mais difernte que já havia visto. Ela me disse que aquilo era parte de uma galaxia. E enmendou dizendo que ela havia começado aqui e tirou a manga direita da blusa que vestia sobre a camiseta. Mostrou a terra, que estava no seu pulso e uma espiral que chegava à Lua no seu ombro.
Eu falei, puxa que bacana enquanto tentava dar a primeira mordida no meu lanche. Mas ela continou e tirou a outra manga mostrando desenhos exóticos que passavam por outra pedra que se encontrava perto do ombro e que faziam parte da galáxia.
Naquele momento resolvi mudar de assunto pois com o andar das explicações sobre as galáxias não tardaria a explicação sobre onde estavao buraco negro.
Bem, saimos de Llanz as 18 horas e na miha melhor expectativa chegaríamos as 8:30.
Llanz ficava na base de uma longa subida de 10 Km. Esse trajeto se mostrou espetacular com os canions do Reno e outros afluentes. Essa beleza confortava o esforço e o cansaço que se abatia sobre todos. Vencemos muitas subidas e depois de brinde uma descida de 4 Km até Bonaduz.
A exastão já estava batendo. Paramos e coloquei o nome de um hotel no Google Maps do meu celular. Ele mostrou a rota para o hotel que estava a 5 Km de distância. Chegamos as 21 horas, praticamente doze horas de pedalada para fazer 98 Km.
O dia foi longo, cansativo, mas nenhum dos três se queixou, além das dores, sobre o trajeto. Magnífico.
Agora é meia noite e amanha temos que acordar as 6 horas pois temos 125 Km até Contanz na Alemanha e temos que chegar lá até as 17 horas, pois um guia da cidade nos espera.

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