O primeiro dia de pedalada havia sido cansativo e gratificante. O planejamento para o segundo dia previa sairmos muito cedo para vencer os 120 Km do dia. Contudo, ao abrir a janela as 6:30 da manhã o tempo estava horrivel para quem pedala. Ventando muito, chuvosoe frio.
Decidimos tomar o café e ver o que fazer. Pedalar naquelas condições não seria o melhor. Consultei a internet e a previsão era de 61% chances de chuva. Resolvemos equacionar um plano B, indo de trem e terminar o dia pedalando.
Nesse meio tempo a garoa parou e o tempo parecia querer firmar. Resolvemos começar a pedalar. Mas formos perguntar das opções de trem que poderiam transportar bicicletas. Vimos que isso não seria problema.
Ao voltar para as bikes fomos abordados por um senhor de uns 70 anos, que parou sua bicicleta ao nosso lado e me pergunto se eu queria ajuda;. Disse que sim em alemão mas o avisei que não falava bem. Ele começou a falar em inglës e nos dar dicas do caminho que deveríamos seguir em direção de Konstanz;
Sua recomendação foi utilizar a ciclovia ao invés da estrada vicinal. Quando descobriu quer éramos do Brasil fez questão de falar algumas palavras em português e disse-nos que um amigo seu, que era pastor, havia morado muitos anos no Brasil.
Ele se prontificou a nos mostrar o inicio da ciclovia e no meio do caminho nos pediu dois minutos para apresentar o seu amigo. Paramos num prédio e ele entrou. Em alguns segundos pediu para que viessemos até a porta. Uma senhora de mais de 70 anos, loira e muito bonita para sua idade nos atendeu em português, era a esposa do amigo dizendo que ele não estava, mas que ficou contente por encontrar pessoas do Brasil. Em poucos minutos nos contou que morou na zona Sul de São Paulo há quarenta e cinco anos.
Falamos um pouco de como estava a cidade e dissemos que precisavámos partir. O Senhor Otto, era assim que ele se chamava, nos guiou até o inicio da ciclovia e nos despedimos trocando e-mails.
Na Suiça tivemos várias demonstrações de amizade desse tipo. Pessoas que nos viam com alguma dúvida, por verem que não éramos do local, se dispunha a nos mostrar o caminho ou até mesmo nos acompanhar até algum ponto.
Pedalamos uns doze quilometros pela ciclovia, que era de asfalto. Ai ela se tornou de terra batida e com o piso irregular. Pela altura da grama parecia ser pouco usada naquele trecho. A situação de pedalar ficou desconfortável pois a minha bike Estava com pneus lisos para asfalto e o bagageiro não era adequado para andar em lugares muito acidentados.
Tive que parar umas duas vezes para ajustá-lo já que ele era preso apenas no canote do selim. Em piso de asfalto ou liso não existe problema algum e ele é muito prático. Mas ali a coisa estava complicada. Havia na trilha um sulco fundo no chão formado pela marca da passagem de pneus e grama ao seu lado. Num determinado momento tentei tirar sair do sulco e ao virar o guidão para a esquerda o pneu escorregou na grama molhada, o pedal esquerdo bateu no chão e eu acabei caindo para o lado esquerdo. Na hora senti como se tivesse levado um soco na lateral do torax. Levantei peguei as duas garrafas d´água que se soltaram e levantei a bike. O João parou e perguntou se estava tuo ok. Disse que sim e continuei a verificar a bicicleta. Aparentemente tudo em ordem.
Comecei a pedalar e notei que devia ter batido alguma costela, pois quando respirava sentia uma dor localizada no lado esquerdo. Continuamos naquela trilha por mais uns 4 qiuilometros até a cidade de Zize.
O tempo piorou muito e o vento trazia nuvens pesadas e umagaroa fina. Resolvemos pedalar até a cidade de Bad Ragaz que ficava uns 6 Km adiante. Lá decidiríamos de trocaríamos o resto da pedalada do dia por uma pasagem de trem.
O aumento da chuva foi decisivo. Compramos as nossas passagens e as das bikes. Sim, aqui na Suiça e Alemanha vocë para para transportar a bicicleta. Não Havia trem direto e tivemos que optar por um que tinha duas trocas . Fazer baldeação com as bicicletas é um pouco estressante pois você tem três ou quatro minutos para tirá-las de um trem, atravessar uma plataforma e colocá-las no outro.
Qualquer descuido e o trem está perdido. Mas em nosso caso deu tudo certo, mesmo tendo que levar nas costas as bicicletas carregadas por uma escada bem alta, pois não havia tempo de fazer o percurso mais longo com rampas.
Quando chegamos à cidade de Rorschach, nas margens do lago Bodensee, trocamos a primeira vez.. O trem tradicional que estávamos foi deixado por um outro que parecia mais um bonde urbano. Tivemos que fazer mais uma troca em Weinfelden para chegar em Konstanz.
A dor para respirar estava mais forte, mas não havia indícios de que eu tivesse quebrado uma costela. O joelho que na hora da queda não havia doado estava dando sinais de que sofrera uma pancada forte.
Para respirar mais profundamente eu tinha que apertar o local da batida no peito e para caminhar eu estava mancando. Os sinais não eram muito animadores, mas eu tomei um remédio para dor e saiu com meus amigos para dar uma volta pela cidade e almoçar. Paramos em uma loja de bicicletas pois o João queria comprar uma bolsa de guidão. Perguntei sobre o produto e o vendedor mostrou uma que estava na vitrina. Ouvindo-nois falar em português ele virou-se e perguntou se éramos nós que faríamos o city tour com ele.
Fizemos uma cara de interrogação, e ele completou dizendo que também era guia e que havia recebido a soliciatção de um tour para jornalistas brasileiros. Foi uma grande coincidência. Nos despedimos e fomos almoçar. Tinhamos que estar de volta as 18 horas para a visita guiada pela cidade, oferecida pelo escritório de turismo de Kontanz.
A cidade é linda, com uma história que remonta aos Romanos. A seguir algumas fotos da cidade.
Descobrimos , após o tour, que o hotel tinha máquina de lavar e secar. Compramos duas fichas, e totalmente conhecedores do tema, entulhamos nossas roupas sujas na máquina de lavar. Pusemos o sabão que haviamos comprado despois do almoço e apertarmos todos felizes o botão Start e fomos jantar. Antes nos certificamos que ela estava funcionando.
Quando voltamos a máquina de lavar, que tinha a porta frontal, estava parada com água pela metade da janela de vidro com todas as roupas lá dentro.
Dez horas da noite e a Odisséia de tirar as roupas torcê-las e tentar secá-las começou. Como meu joelho estava doendo resolvi vir para o quarto escrever o blog enquanto meus amigos se revezavam nos ciclos de secagem de nossas roupas.
São 23:45 da noite e ainda estão tentando secar as roupas. Acabaram de entrar no quarto e avisaram que estão fazendo mais um ciclo para terminar a secagem. Enquanto isso foram tomar um chocolate quente ao lado do hotel.
A cena dos três olhando para a máquina cheia de água foi hilária. Bem, agora é hora de tentar dormir, pois amanhã temos 90 Km e esperamos que o tempo ajude.
Cenas de Konstanz:

Nenhum comentário:
Postar um comentário